História 7º ano | Contributos das primeiras civilizações

 

CONTRIBUTOS DAS PRIMEIRAS CIVILIZAÇÕES

 

 

 

AS CIVILIZAÇÕES DOS GRANDES RIOS

 

A partir do 5º milénio a.C. assistiu-se a uma nova e profunda viragem: o Homem começou a fixar-se nos vales de alguns grandes rios, onde vieram surgir as primeiras cidades, e com elas as primeiras civilizações:

  • Civilização do Egito, junto ao Rio Nilo
  • Civilização da Antiga China, junto ao Rio Amarelo
  • Civilização da Suméria, junto ao Rio Tigre e ao Rio Eufrates
  • Civilização do Vale do Indo, junto ao Rio Indo

 

 

Condições naturais

Algumas comunidades deslocaram-se para junto dos grandes rios por causa do seu regime de cheias anuais que tornavam férteis os solos das suas margens. Inicialmente, o Homem não sabia como controlar as cheias e por isso não se fixava nas proximidades dos rios. No entanto, a partir do 5º milénio a.C. as populações atreveram-se a enfrentar a força dos rios e a ocupar as suas margens.

Desbravou-se o solo, drenaram-se os pântanos, construiram-se diques para suster as águas nos meses de cheias e construiram-se canais para irrigar os campos durante os meses de seca. Todo este esforço foi recompensado com colheitas abundantes, sobretudo de cereais.

 

 

Acumulação de excedentes

O aumento da produção fez com que se produzisse mais do que se consumia, o que originou a acumulação de excedentes.

 

Progresso técnico e estratificação social

Com a acumulação de excedentes agrícolas, já não era necessário tantas pessoas se dedicarem ao trabalho agrícola, ficando libertas para outras atividades.

Surgiram os primeiros artesãos especializados: oleiros, tecelões e, mais tarde, metalurgistas. A metalurgia (técnica de fusão e tratamento de metal) permitiu o fabrico de instrumentos e de armas de metal, o que mudou profundamente o modo de vida das comunidades.

As necessidades de defesa e de organização da comunidade levou ao aparecimento de guerreiros, sacerdotes e governantes. Os chefes guerreiros, religiosos e políticos adquiriram grande poder e autoridade e começaram a exigir aos camponeses e artesãos o pagamento de tributos.

A sociedade passou então a estar dividida em estratos sociais: por um lado, os chefes guerreiros, religiosos e políticos (os que dirigiam e comandavam) e, por outro lado, os camponeses e os artesãos (os que produziam).

 

 

Trocas comerciais

A acumulação de excedentes também permitiu o aparecimento de uma nova atividade económica: o comércio, ou seja, a troca de bens (trocavam-se produtos agrícolas e artesanais).

 

 

Aparecimento das cidades

Concluindo, a acumulação de excedentes permitiu o aparecimento de novas atividades, como o artesanato, o comércio e os serviços administrativos, militares e religiosos. Estas atividades tendiam a concentrar-se em grandes aglomerados populacionais – as cidades.

Foi, portanto, nos vales fluviais que se deu a revolução urbana, que originou as bases para as primeiras civilizações.

 

 

 

O EGITO

 

 

Condições naturais

O Egito situa-se no nordeste de África. Fica a norte do deserto da Núbia, a este do deserto da Líbia e a oeste do deserto Arábico. Tem ainda como limites o Mar Mediterrâneo e o Mar Vermelho.

O território é atravessado por um grande rio: o Rio Nilo. Com as suas cheias anuais, os solos das suas margens tornam-se bastante férteis e, por isso, propícios à agricultura.

É possível distinguir duas regiões:

  • Alto Egito: nas terras mais a sul
  • Baixo Egito: região do delta (parte terminal do rio Nilo que desaguava por vários braços para o Mar Mediterrâneo)

Estas regiões foram independentes durante séculos. Entretanto, deu-se a unificação de todo o território a cerca de 3200 a.C., pelo rei Narmer (ou Menés), tornando-se assim no primeiro faraó do Egito.

 

 

Atividades económicas

Principais atividades económicas e produtos:

  • Agricultura:
    • Cereais (trigo e cevada)
    • Linho
  • Artesanato:
    • Ourivesaria
    • Metalurgia
    • Cerâmica
    • Tecelagem
    • Carpintaria
  • Comércio:
    • Importava: minerais, pedras preciosas e madeira
    • Exportava: cereais, objetos de cerâmica, tecidos de linho

 

 

Sociedade

A sociedade egípcia era estratificada e hierarquizada, ou seja, estava dividida em vários estratos sociais, cada um com a sua importância a nível social:

  • Faraó:
    • Tinha poder sacralizado, pois era considerado deus vivo, filho do deus-Sol Amon-Ré
    • Concentrava em si todos os poderes: era o sumo-sacerdote, juíz supremo, chefe do exército e administrador do Egito
  • Altos funcionários:
    • Tinham funções administrativas
  • Sacerdotes:
    • Prestavam o culto aos deuses, nos templos
  • Escribas:
    • Desempenhavam diversos cargos, como magistrados, cobradores de impostos e contabilistas, graças aos seus conhecimentos (escrita e cálculo)
  • Artesãos:
    • Trabalhavam nas oficinas do rei, dos templos e dos nobres
  • Camponeses:
    • Cultivavam as terras do faraó, dos templos e dos nobres, estando ainda sujeitos a pesados impostos
  • Escravos:
    • Eram prisioneiros de guerra que se ocupavam de diversos serviços (domésticos, agrícolas, obras públicas, etc.)

 

 

Religião

O povo egípcio era politeísta, ou seja, acreditava em vários deuses.

Os deuses egípcios tinham várias formas: podiam ter forma humana, animal ou mista. Representavam forças da Natureza ou qualidades humanas.

Cada cidade ou região tinha os seus próprios deuses, mas os mais importantes eram adorados em todo o Egito. O culto a estes deuses era prestado em grandes e ricos templos.

 

 

Culto dos mortos

Os Egípcios acreditavam na vida após a morte e na reencarnação. Por isso, procedia-se à mumificação dos corpos dos mortos de forma a preservá-los para a outra vida. Depois de embalsamados, os corpos ficavam encerrados em sarcófagos que eram depois colocados em túmulos juntamente com alimentos, adornos, jóias e outros objetos de uso pessoal.

No entanto, como este processo era algo dispendioso, era apenas realizado aos faraós e alguns privilegiados. Os restantes egípcios (a maioria) eram sepultados no deserto.

 

 

Arte

A arte egípcia está muito relacionada com a religião e ao culto dos mortos.

  • Arquitetura
    • Construíram-se três tipos de sepulturas: as pirâmides (enormes túmulos reservados aos faraós), as mastabas (túmulos reservados à família dos faraós e priveligiados) e os hipogeus (túmulos escavados nas rochas, de forma a evitar roubos dos objetos lá deixados)
    • Os templos eram grandiosos de forma a engrandecer os deuses a que faziam culto
  • Escultura e pintura
    • Destinavam-se sobretudo à decoração de templos e túmulos
    • A figura humana era representada de acordo com a lei da frontalidade: a cabeça e os pés de perfil e o tronco de frente
    • A dimensão das figuras era de acordo com a sua categoria social

 

 

Escrita

Os Egípcios inventaram uma escrita com base em centenas de símbolos a que chamamos hieróglifos. A escrita hieroglífica era aprendida pelos escribas em escolas especiais, sendo os únicos da sociedade que sabiam ler  e escrever.

 

 

Outros saberes

Os Egípcios demonstraram desenvolvimento em alguns domínios como:

  • Geometria
  • Cálculo
  • Medicina
  • Astronomia

 

 

 

CONTRIBUTOS CIVILIZACIONAIS NO MEDITERRÂNEO ORIENTAL

 

 

A religião monoteísta dos Hebreus

Os Hebreus eram pastores nómadas que viviam na Mesopotâmia. Deslocaram-se para a Palestina, comandados por Abrão, e depois para o Egito, atraídos pelas suas riquezas mas onde acabaram por ser escravizados. Abandonaram então o Egito e regressaram à Palestina – a Terra Prometida – onde fundaram o Estado de Israel. Mais tarde, o país dividiu-se em dois reinos: o de Israel e o de Judá. Ao longo dos tempos, os Hebreus ainda tiveram sujeitos a outros povos, como os Assírios, os Babilónios, os Persas e os Romanos.

A originalidade dos Hebreus encontrava-se na religião, dado que acreditavam num único deus (Javé), ou seja, era um povo monoteísta. Por terem estado ao longo dos tempos sujeitos a muitas perseguições, esperavam a vinda de um Messias, o Salvador. A Bíblia, constituída pelo antigo e Novo Testamento, é o livro sagrado deste povo.

Assim, a religião monoteísta constitui o principal contributo dos Hebreus para a história da civilização.

 

 

A escrita alfabética dos Fenícios

As condições naturais da Fenícia favoreceram o aparecimento de importantes cidades junto ao litoral. Como os recursos naturais eram insuficientes, os Fenícios dedicaram-se ao artesanato e à vida mercantil e marítima.

Os Fenícios, como comerciantes, precisavam de uma escrita rápida e simples que facilitasse os seus negócios. Por isso, criaram um novo sistema de escrita – o alfabeto. Este novo sistema de escrita era composto por 22 sinais muito simples, em que cada um representava um único som.

A escrita alfabética rapidamente se expandiu e está na origem de todos os alfabetos ocidentais.

 


 

Revê aqui a matéria/resumo de matemática/síntese de História:

Em breve

 


 

EXERCÍCIOS

Teste   |   enunciado

 


 

O que tens de saber neste capítulo, segundo o programa e metas curriculares de História – 7º ano:

 

DOMÍNIO: DAS SOCIEDADES RECOLETORAS ÀS PRIMEIRAS CIVILIZAÇÕES

SUBDOMÍNIO: CONTRIBUTOS DAS CIVILIZAÇÕES URBANAS

 

  • Conhecer e compreender a formação das primeiras civilizações urbanas
  1. Localizar no espaço e no tempo as civilizações da Suméria, Egito, vale do Indo e vale do Rio Amarelo, a civilização hebraica e a civilização fenícia, destacando a relação com as grandes planícies aluviais.
  2. Relacionar a fertilidade dessas regiões com a acumulação de excedentes, o desenvolvimento comercial e a transformação de aldeias em cidades.
  3. Destacar a crescente importância das atividades secundárias e terciárias desenvolvidas nas cidades, fruto da libertação de mão-de-obra do trabalho agrícola (especialização de funções).
  4. Reconhecer a cidade como centro do comércio e da produção artesanal e do poder político, militar e religioso.
  5. Aplicar o conceito de “civilização” a sociedades detentoras de grande complexidade.

 

  • Conhecer e compreender as relações económicas e as estruturas sociais (a partir de exemplos de uma civilização dos Grandes Rios)
  1. Apresentar as atividades económicas que viabilizaram o surgimento das cidades.
  2. Reconhecer a importância de tecnologias complexas como a metalurgia e a engenharia.
  3. Referir a forte estratificação social das civilizações dos Grandes Rios, destacando o acentuar das desigualdades sociais.

 

  • Conhecer e compreender a complexificação da organização política (a partir de exemplos de uma civilização dos Grandes Rios)
  1. Relacionar a criação de Estados com a necessidade de manter infraestruturas hidráulicas e de defesa perante ameaças externas.
  2. Identificar a centralização do poder como forma de conter a conflitualidade social.
  3. Reconhecer o surgimento de poderes políticos absolutos e sacralizados.
  4. Justificar a função dos impostos como fator de sustentação dos aparelhos de estado e das elites.
  5. Relacionar a complexificação da organização política com a invenção da escrita.

 

  • Conhecer e analisar a importância das vivências religiosas, culturais e artísticas (a partir de exemplos de uma civilização dos Grandes Rios)
  1. Referir a afirmação de religiões politeístas, salientando a relação dos deuses com as forças da Natureza.
  2. Reconhecer na arte a expressão da religiosidade das civilizações dos Grandes Rios.
  3. Caracterizar sucintamente as expressões artísticas de uma das civilizações dos grandes rios.

 

  • Conhecer os principais contributos das primeiras civilizações urbanas para o funcionamento das sociedades até aos nossos dias
  1. Indicar os domínios do conhecimento mais desenvolvidos durante as primeiras civilizações (matemática, astronomia, química, medicina, engenharia, arquitetura).
  2. Referir a importância da escrita na consolidação de áreas do saber como a teologia, a história, o direito e economia.
  3. Referir que a origem dos alfabetos latino, grego, árabe e hebraico residiu na escrita alfabética fenícia.
  4. Mostrar a importância do papel da escrita enquanto marco de periodização clássica (passagem da “Pré-História” à “História”) e no alargamento do tipo de fontes disponíveis para os historiadores.
  5. Destacar o politeísmo das primeiras civilizações urbanas e o monoteísmo (nomeadamente o judaísmo) como estando na origem da diversidade de religiões no mundo atual.

 


 

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