No ensino à distância estarão os professores a avaliar alunos, pais ou explicadores?


 

 

Um grande problema acerca do ensino à distância: a avaliação. Como se avaliam alunos à distância? Sejam testes ou trabalhos, quizzes… como garantir que foram os alunos a realizá-los, ou se tiveram ajuda ou não. Quem estarão os professores a avaliar?

Mais um dos aspetos em que o ensino presencial faz toda a diferença. Presencialmente é muito mais fácil detetar “copianços” e apanhar alunos com cábulas. Seja através de que instrumentos forem (testes ou trabalho simplesmente realizado durante a aula), a análise é feita pelos professores com os seus próprios olhos, através de uma observação direta. É claro que, mesmo que presencial, podemos questionar a forma como se avaliam os alunos, sobre a eficácia dos testes que avaliam apenas parte da matéria e não têm em conta muitas competências desenvolvidas. Contudo, mesmo assim, tende para obter resultados mais reais que a avaliação feita através do ensino à distância.

Apesar da orientação do Ministério da Educação para as escolas cumprirem os programas, cerca de um quarto dos professores terá optado por apenas fazer revisões durante o 3.º período. A maioria (84,1%) vai basear a avaliação nos trabalhos de casa enviados pelos alunos. Apenas 33,7% terão feito testes, revelou um inquérito promovido pelo centro da Universidade Nova de Lisboa – Nova Economics of Education Knowledge Center. Só estes dados mostram-nos as desigualdades e que alunos de todo o país estiveram a trabalhar de forma diferente. Algo que já se estava à espera. Por isso, agora a questão é: como voltar a criar igualdade (pelo menos diminuir as desigualdades agora criadas com o ensino à distância).

Com certeza que o ministério da Educação já estará a tentar arranjar soluções com esse objetivo. Mas, e se a pandemia não permitir o regresso às aulas presenciais em setembro? Vivemos uma fase de grande incerteza, por isso é difícil projetar o futuro, até a curto prazo. Seria interessante o desenvolvimento de um ensino à distância mais eficaz e que complementasse o ensino presencial. Desenvolver uma nova mentalidade nos alunos em darem primazia ao que aprendem ao invés da nota. Desenvolver um ensino à distância com maiores variantes e que vão encontro às diferentes idades dos alunos e às suas necessidades mais específicas. Sobretudo, arranjar formas de avaliação mais reveladoras das aprendizagens dos alunos.

A avaliação terá de ser mais próxima que simplesmente feita através de trabalhos enviados pelos alunos e de quizzes engraçados que muitas vezes os alunos fazem com ajuda de outros. Terá de ser mais pessoal. Terá de ser com conversas mais próximas, com número reduzido de alunos em simultâneo, ou até pessoalmente. Poderá ser muito mais revelador dos conhecimentos de um aluno uma conversa, com perguntas e resposta direta do aluno, do que um teste escrito. Poderá ser essa conversa complementada com um trabalho escrito, com o que ficou a aprender após essa conversa com o professor, texto esse revisto pela professora de Português e que explica ao aluno o que deve melhorar.

Existem muitas possibilidades. Vai exigir criatividade, muito trabalho, experiências, estudos, mas havendo necessidade de nos adaptarmos às condições atuais, que seja oportunidade de se criarem novas formas de avaliação que permitam realmente avaliar os alunos, que sejam mais motivadoras, e que sejam também elas forma de chegar a mais conhecimentos. Temos de repensar o ensino, a forma tradicional de um professor por disciplina e que não colabora com os outros professores, novas formas de ensinar que não estejam dependentes de uma sala de aula, e novas formas de avaliar.

A pandemia causou-nos enormes obstáculos e condicionantes. O que podemos fazer com estes obstáculos é criar soluções. E desta forma progredir, e melhorar o que já fazíamos. Se conseguirmos criar um sistema de ensino eficaz durante um período de pandemia, teremos um sistema de ensino para além das fronteiras de quatro paredes de uma escola, um sistema de ensino cada vez mais capaz de dar respostas perante as adversidades que possam surgir. Assim se espera que sejam os nossos alunos: capazes de ultrapassar obstáculos, reagir às adversidades, melhorar e desenvolver competências com significado, que lhes permita crescer enquanto indivíduos capazes e felizes pertencentes a uma sociedade cada vez mais justa, consciente e em paz com os outros e com o ambiente.

Será utopia? Não! Um caminho a seguir!

 

Luis Carrilho

 


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