Como começar uma conversa com o meu adolescente?

 

Como começar uma conversa com o meu adolescente?

 

Queres muito chegar ao teu adolescente, não te sentires uma estranha na sua vida, tentas conversar com ele mas só o vês ficar mais aborrecido contigo e distante. Desesperas pois nada do que fazes parece funcionar.

E agora? Vou falar da maneira como se sente o teu adolescente e de como podes comunicar com ele de uma forma eficiente. Vais ver como vai melhorar 🙂

Todos os dias a Maria (mãe do Martim com 8 anos e do Simão com 15) perguntava ao seu adolescente como tinha corrido o dia. Regra geral o Simão respondia com um “Bem” e a conversa morria ali.

Perguntava-lhe bastantes vezes no que estava ele a pensar e a resposta era invariavelmente um encolher de ombros.  Quando o via cabisbaixo e a puxar o boné mais para os olhos dizia-lhe que não ficasse triste, que se animasse pois nem tudo era mau.

O Simão sempre foi muito chegado à Maria e custava-lhe perceber que já não conseguiam comunicar. Ela lera bastante sobre o assunto e percebia que era normal na adolescência que o seu filho se afastasse de si, no entanto, sabia também que mesmo assim ele precisava dela e como tal era ela enquanto adulta que precisava manter o caminho de comunicação aberto. O problema é que nada do que ela fazia resultava e não percebia porquê!

Coisas que a Maria não sabia:
Assim que o Simão chega a casa, regra geral,  não se vai mostrar muito disposto a conversar. Está cansado e só quer um pouco de descanso e de privacidade.

Quando a mãe lhe perguntava no que pensava ele não sabia mesmo como responder-lhe. Achava a resposta tão difícil de ser respondida…na maior parte do tempo nem ele próprio fazia ideia do que ia na sua cabeça! Quando sabia, não tinha bem a certeza de como o contar à mãe. Será que ela o ia compreender? Eles viviam em mundos tão diferentes!

Sabia que a mãe queria conversar e que se preocupava com ele mas não sabia bem como o fazer. Quando a mãe lhe dizia para não ficar triste sentia-se ainda pior e mais revoltado, pois a mãe (e todos os outros adultos) também ficavam tristes, revoltados e chateados, então porque esperavam que ele não ficasse? Não fazem parte os sentimentos da vida? E mais, se ele soubesse como não ficar triste certamente que não estaria. “Se inventarem um botão que desligue sentimentos eu serei o primeiro da fila” pensava frequentemente.

A comunicação requer esforço, paciência e continuidade. Prometo que quando vires os frutos vai valer TOTALMENTE a pena.
Por onde começar:

Quando o teu adolescente chegar a casa cumprimenta-o simplesmente e dá-lhe tempo para comer, tomar banho, deitar-se, jogar um bocado, conversar com os amigos, seja o que for que ele costuma fazer quando chega a casa depois de um dia de escola. Passado um bom bocado (ou ao jantar, como preferires) faz-lhe perguntas abertas mas não tão generalistas. Exemplos:

“Qual foi a melhor parte do teu dia?”
“Qual foi a coisa mais interessante que aprendeste hoje?”
“Qual foi o momento mais aborrecido do teu dia?”
“O que mais te deixou triste no dia de hoje?”

De seguida ouve atentamente o que ele tem para dizer.

A primeira vez que a Maria tentou isto foi durante um jantar de 6ª feira. O Simão estava bem disposto e contou-lhe várias coisas. Gradualmente a Maria foi-se mostrando disponível e aberta e disse-lhe que nunca o iria julgar, tinha sim curiosidade pela vida dos adolescentes no geral, e claro, da do Simão concretamente. Explicou-lhe que estava lá para o ouvir sempre que ele precisasse e quando ele somente precisasse que ela ouvisse o seu silêncio estava disponível também para isso.

Disse-lhe ainda que respeitava os seus sentimentos e  partilhou com ele as suas amarguras dos tempos de escola. Isso estreitou os laços entre ele pois o Simão percebeu que também a sua mãe tinha tido uma adolescência (semelhante em algumas coisas e tão diferente noutras) na qual tinha sofrido, rido, chorado e tido as suas aventuras.

A pouco e pouco o Simão foi-se abrindo cada vez mais. Claro que ainda havia dias em que não queria falar e a Maria respeitava esses dias. Demorou um pouco até lhe contar coisas mais profundas e a mãe não tinha ilusões, sabia que não era a sua melhor amiga e que havia coisas da vida do filho que nunca iria saber. Preferia que assim fosse pois sabia que era o mais saudável.

O Simão começou a sentir-se mais respeitado na sua própria casa pois percebeu que os seus sentimentos tinham valor e que mesmo quando não queria falar ou estava num mau dia a mãe continuava a amá-lo. Não precisava fingir estar bem ou ser quem não era. Agora que pensava bem nisso percebia que a ideia era um pouco absurda, claro que a mãe iria sempre amá-lo, afinal é seu filho. Mas de facto, tentava muitas vezes ser diferente do que era na realidade com receio de não merecer o amor da mãe. Sentia-se tremendamente mais calmo, tranquilo e feliz. Ainda bem que a mãe se esforçara por manter a comunicação com ele. Sabia que tinha sorte e dizia isso mesmo à mãe, sempre que se lembrava.

Como pôr em prática estas ideias? Dar espaço quando assim é preciso e fazer perguntas abertas mas não tão generalistas. Mostrar ao adolescente que os seus sentimentos são válidos e que está tudo bem em estar triste. Respeitar o seu silêncio quando ele não quer falar e partilhares também a tua vida e a tua experiência adolescente. Escutares atentamente e sem julgamento. Mostrar que o amas, independentemente do que quer que aconteça ou do que quer que ele te conte.

Vai ser do dia para a noite? Não. O teu adolescente não vai perceber que estás a tentar mudar o teu estilo de comunicação e podes dizer-lhe isso mesmo. Pede-lhe paciência pois estás a tentar algo novo para ti e por vezes vais esquecer-te. Sê honesta com ele, pede o seu apoio e compreensão.

Aos poucos as coisas vão mudar e ambos se vão sentir muito mais próximos e felizes.

 

Lembra-te que estou aqui para o que precisares. Podemos trocar ideias e podes dizer-me quais são as tuas maiores dificuldades enquanto mãe de um adolescente.

Cláudia Pintado

 

Se quiseres saber mais sobre mim, ora espreita :

https://claudiapintado-teencoach.com/

www.instagram.com/claudiapintado.teencoach/

www.facebook.com/claudiapintado.teencoach/

open.spotify.com/show/5oLGQOSLKOpLCv1KryQ2AF

 


MAIS ARTIGOS

 

Feliz Dia da Mãe!

Feliz dia a todas as Mães!!!

0 comments

Vai ficar tudo bem? Não! Temos todos de fazer o nosso papel para que tudo melhore!

Está na hora de deixar de apontar o dedo, e cada um de nós agir para que a situação pandémica melhore

0 comments

O que sente um professor num fim de ano letivo sem alunos na escola

  O que sente um professor num fim de ano letivo sem alunos na escola   Este ano não houve festa de final de ano, os alunos não se puderam despedir dos colegas nem...

0 comments

ARTIGOS     DESAFIOS     EFEMÉRIDES     LIVROS     ONDE IR EM FAMÍLIA     VÍDEOS