Conto | Boa Sentença

 

CONTO

 

BOA SENTENÇA


Um homem rico, mas avarento, tinha perdido dentro dum alforge uma quantia em oiro bastante avultada. Anunciou que daria cem mil réis de alvíssaras a quem lha trouxesse. Apresentou-se-lhe em casa um honrado camponês levando o alforge. O nosso homem contou o dinheiro, e disse:
— Deviam ser oitocentos mil réis, que foi a quantia que eu perdi; no alforge encontro apenas setecentos; vejo, meu amigo, que recebeste adiantados os cem mil réis de alvíssaras: estamos pagos por conseguinte.»
O bom camponês, que nem por sombras tocara no dinheiro, não podia nem devia contentar-se com semelhantes agradecimentos. Foram ter com o juiz, que, vendo a má fé do avarento, deu a seguinte sentença:
— Um de vós perdeu oitocentos mil réis; o outro encontrou um alforge apenas com setecentos: Resulta daí claramente que o dinheiro que o último encontrou não pode ser o mesmo a que o primeiro se julga com direito. Por consequência tu, meu bom homem, leva o dinheiro que encontraste, e guarda-o até que apareça o indivíduo que perdeu somente setecentos mil réis. E tu, o único conselho que passo a dar-te, é que tenhas paciência até que apareça alguém que tenha achado os teus oitocentos mil réis.

 

Boa Sentença in Contos para a Infância de Guerra Junqueiro


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SELEÇÁO DE CONTOS PARA A INFÂNCIA

de Guerra Junqueiro.
edição:  Porto Editora, fevereiro de 2020 ‧ isbn: 978-972-0-72685-8

 

SINOPSE

Plano Nacional de Leitura.

Leitura recomendada no 3.º ano de escolaridade.

Este livro apresenta três contos que partilham entre si a beleza da ingenuidade e a inocência. Histórias simples que permitem interiorizar de forma divertida valores como a justiça e a verdade.

 

 


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