Ciências Naturais 8º | Interações entre os seres vivos e o ambiente

 

INTERAÇÕES ENTRE OS SERES VIVOS E O AMBIENTE

 

 

O QUE SÃO FATORES ABIÓTICOS

 

Fatores abióticos

Os fatores abióticos são os fatores do meio que influenciam os seres vivos.

Os principais fatores abióticos são:

  • a luz
  • a temperatura
  • a água
  • o solo
  • o vento

 

 

INFLUÊNCIA DA LUZ NAS PLANTAS

 

Fototropismo

As plantas necessitam de luz para sobreviver pois é a fonte de energia que utilizam para realizar o processo de fotossíntese.

Por isso, as plantas têm tendência em se movimentar (lentamente) em direção à luz solar. A este movimento dá-se o nome de fototropismo.

Fototropismo

  • movimento lento das plantas em direção à luz solar

 

Influência no desenvolvimento conforme a necessidade de luz direta e intensa ou sombra

No entanto, existem plantas que se desenvolvem melhor sob a ação de luz direta e intensa e outras que necessitam de sombra:

Plantas heliófilas

  • desenvolvem-se melhor sob a ação direta de luz direta e intensa

Plantas umbrófilas

  • necessitam para o seu desenvolvimento de sombra (ex: fetos e musgos)

 

Influência do fotoperíodo (número de horas de luz diárias)

As plantas são classificadas conforme a influência do número de horas diárias na sua floração:

Plantas de dia longo

  • florescem quando o fotoperíodo é, em média, superior a 12 horas

Plantas de dia curto

  • florescem quando o fotoperíodo é, em média, inferior a 8 horas

Plantas indiferentes

  • não são influenciadas pelo fotoperíodo

 

Estratificação vertical

Nas zonas com muita vegetação a luz condiciona a distribuição das plantas:

Estrato herbáceo

  •  camada vegetal inferior

Estrato arbustivo

  • camada vegetal intermédia

Estrato arbóreo

  • camada vegetal superior.

As características de cada um destes estratos fornecem habitats específicos para diferentes seres vivos.

 

 

INFLUÊNCIA DA LUZ NOS ANIMAIS

 

Fototaxia

Existem animais que são atraídos pela luz e outros que não suportam a luz:

Animais lucífilos

  • são atraídos pela luz – apresentam fototaxia positiva, ou seja, deslocam-se em direção a uma fonte luminosa (ex: traças e borboletas)

Animais lucífugos

  • não suportam a luz – apresentam fototaxia negativa, ou seja, deslocam-se em direção oposta a uma fonte luminosa (ex: morcego e minhoca)

 

Influência da luz na sua atividade

Os animais realizam as suas atividades diárias em função da presença ou ausência de luz:

Animais diurnos

  • encontram-se ativos durante o dia (ex: águia)

Animais notívagos (ou noturnos)

  • encontram-se ativos durante a noite (ex: morcego e coruja)

 

Influência da luz na distribuição dos animais nos oceanos

No fundo dos oceanos, onde existe uma quase escuridão total, apenas existem animais com adaptações próprias como os peixes abissais. A maior parte dos seres marinhos encontram-se junto à superfície.

 

Influência do fotoperíodo na reprodução

A reprodução de alguns animais é também condicionada pelo fotoperíodo. Isso faz com que determinadas espécies tenham determinadas épocas de reprodução. (ex: o veado tem tipicamente o seu período reprodutor em outubro)

 

Influência do fotoperíodo na morfologia

Alguns mamíferos (ex:lebre-do-ártico) mudam a cor da sua pelagem e algumas aves mudam a cor da sua penugem conforme o fotoperíodo. Esta característica facilita a camuflagem do animal, fazendo com que se confunda mais facilmente com o meio ambiente, ficando assim mais protegido contra predadores.

 

Influência do fotoperíodo no comportamento

Migrações

  • Deslocações regulares de um ser vivo para locais que conferem melhores condições de sobrevivência. (ex: andorinha)

É o número de horas diárias que indica aos animais o momento para iniciarem a sua migração.

 

 

INFLUÊNCIA DA TEMPERATURA NAS PLANTAS

 

Adaptações das plantas à variação da temperatura

Para sobreviver às condições desfavoráveis durante a estação fria algumas plantas:

  • perdem as folhas – plantas de folha caduca ou caducifólias (ex: castanheiro)
  • ficam reduzidas à parte subterrânea (ex: narciso)
  • ficam reduzidas a sementes (ex: milho)

 

 

INFLUÊNCIA DA TEMPERATURA NOS ANIMAIS

 

Intervalo de tolerância, temperatura ótima e temperatura letal

A vida só é possível dentro de intervalos de temperatura que se designam  por intervalos de tolerância e que variam de espécie para espécie. Dentro desse intervalo existe uma temperatura em que o ser vivo se desenvolve melhor – temperatura ótima. No entanto, se os limites desse intervalo forem ultrapassados atinge-se uma temperatura letal que pode levar à morte do ser vivo.

De acordo com a sua amplitude térmica os seres vivos podem ser classificados como:

Seres euritérmicos:

  • se têm uma grande amplitude térmica (ex: lobo)

Seres estenotérmicos:

  • se têm uma pequena amplitude térmica (ex: serpente)

 

Seres homeotérmicos e seres poiquilotérmicos

Seres homeotérmicos (ex: mamíferos e aves)

  • conseguem manter a temperatura do corpo constante, independentemente da temperatura ambiente

Seres poiquilotérmicos (ex: peixes, répteis e anfíbios)

  • a temperatura do corpo varia conforme a temperatura ambiente

 

Adaptações dos animais às diferentes temperaturas do meio ambiente

Adaptações comportamentais

Ambientes quentes:

  • Estivação
    • redução da atividade durante a estação quente (ex: caracol e crocodilo)

Ambientes frios:

  • Hibernação
    • redução da atividade durante a estação fria (ex: ouriço-cacheiro e urso)

Migração

  • Deslocação regular de um ser vivo para locais que conferem melhores condições de sobrevivência. (ex: andorinha e baleia)

 

Adaptações corporais

Ambientes quentes:

  • Orelhas grandes, o que permite aumentar a superfície de perda de calor para o ambiente
  • Pelo curto, para mais facilmente perder calor corporal

Ambientes frios:

  • Orelhas pequenas, o que permite diminuir a superfície de perda de calor para o ambiente
  • Pelo longo, para mais dificilmente perder calor corporal
  • Camada espessa de gordura, que impede a perda de calor

 

Adaptações fisiológicas

Ambientes quentes

  • arfar, o que permite perder calor

Ambientes frios

  • ereção dos pelos, o que permite criar uma camada de ar isolante junto à pele, diminuindo assim as perdas de calor

 

 

INFLUÊNCIA DA ÁGUA NOS SERES VIVOS

Importância da água para os seres vivos

Todos os seres vivos precisam de água para sobreviver pois é o seu principal constituinte e é necessária para as suas funções vitais. Por isso existe maior vegetação e animais nos locais com maior humidade e pluviosidade.

No entanto, nem todos os seres vivos dependem da mesma quantidade de água:

Seres hidrófilos:

  • vivem permanentemente na água (ex: polvo e nenúfar)

Seres higrófilos:

  • vivem em locais húmidos (ex: minhoca e arrozal)

Seres mesófilos:

  • necessitam de quantidades moderadas de água (ex: cavalo e sobreiro)

Seres xerófilos:

  • vivem em locais secos (ex: dromedário e cato)

 

Adaptações das plantas à escassez de água

Plantas de climas secos (ex. cato) apresentam:

  • raízes longas e pouco profundas, para captar a maior quantidade de água possível
  • caules carnudos, para acumular água de reserva
  • folhas de pequenas dimensões ou reduzidas a espinhos, para não perderem água por transpiração

 

Adaptações dos animais à escassez de água

Os animais de clima seco podem apresentar:

  • reservas de gordura que utilizam para produzir água (ex: dromedário e camelo)
  • revestimento impermeável que evita a perda de água por transpiração (ex: escorpião)

Existem ainda animais (ex: gerbilo) que não transpiram, produzem pouca urina e são mais ativos durante a noite de forma a evitar perdas de água.

 

 

INFLUÊNCIA DO SOLO NOS SERES VIVOS

 

O substrato e a importância do solo para os seres vivos

A maioria dos seres vivos precisa de um substrato para realizarem as suas atividades vitais e garantirem a sua sobrevivência. O substrato é o meio sólido que serve de suporte à maior parte dos seres vivos.

Nos ambientes aquáticos encontramos:

  • substratos moles, como os fundos arenosos que podem ser encontrados no leito dos rios e nos oceanos
  • substratos duros, como as rochas, sobre as quais vivem animais como as lapas e os mexilhões.

Nos ambientes terrestres, os seres vivos desenvolvem as suas atividades em interação com os solos.

O solo é a camada mais superficial da crusta terrestre, sendo constituído por matéria orgânica, matéria mineral, água e ar. É bastante importante porque funciona como habitat para uma grande diversidade de seres vivos (ex: insetos, minhocas, toupeiras, fungos e bactérias) e porque serve como meio de fixação para as plantas e de captação de água e minerais essenciais para o seu crescimento e desenvolvimento.

 

Influência do tipo de solo na distribuição dos seres vivos

A porosidade do solo influencia a distribuição dos seres vivos, pois há seres vivos que povoam solos arenosos e outros solos mais compactos.

No entanto, também a composição do solo, permeabilidade, humidade e textura influenciam a distribuição dos seres vivos.

 

 

INFLUÊNCIA DO VENTO NOS SERES VIVOS

 

Importância do vento
  • Contribui para a dispersão de algumas sementes, de modo a que estas se possam dispersar por uma maior área e de forma a encontrarem condições mais apropriadas à sobrevivências das plantas após a germinação
  • É responsável pelo transporte de bactérias e de fungos, bem como das suas estruturas reprodutoras (esporos).
  • Nos ambientes aquáticos, promove o arejamento das águas e dá origem à ondulação dos oceanos

 

Influência do vento na morfologia dos seres vivos

Em regiões muito ventosas encontram-se, preferencialmente, plantas rasteiras e animais de pequeno porte e achatados.

 

Influência do vento no comportamento dos animais
  • Os gafanhotos por vezes movimentam-se aproveitando a deslocação das massas de ar, formando nuvens de gafanhotos
  • As aves de rapina (ex: falcão) aproveitam as massas de ar quente para planar, gastando assim menos energia
  • As rotas de migração são influenciadas pelos ventos dominantes em determinadas regiões

 

Relação entre as alterações do meio e a evolução ou a extinção de espécies

Os fatores abióticos condicionam largamente a biodiversidade. No passado, extinções em massa, provocadas por alterações súbitas do meio ambiente, levaram ao desaparecimento de algumas espécies e criaram condições propícias à diversificação e à dispersão de outras.

 

 

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