Acordo Ortográfico – Novas regras

Com o objectivo de se criar uma escrita unificada para a Língua Portuguesa foi assinado em 1990 um Acordo Ortográfico (AO) por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e ainda Timor-Leste que aderiu a este acordo em 2004.

Este AO encontra-se já em vigor e por isso consideramos importante divulgar as principais mudanças e as novas regras implementadas.

 

1. Alfabeto

O alfabeto da língua portuguesa passa a ser composto oficialmente por 26 letras, ou seja, passam a integrar também as letras k, w e y.

Alfabeto português: a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, k, l, m, n, o, p, q, r, s, t, u, v, w, x, y, z

 

2. Maiúsculas e minúsculas

Passa a ser obrigatório o uso de minúsculas:

  •  nos meses do ano:

janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, …

 

  • nos nomes dos pontos cardeais e colaterais:

norte, sul, este, oeste, nordeste, noroeste, …

 

Torna-se facultativo o uso de minúscula ou de maiúscula:

  • nos nomes de disciplinas, cursos e domínios do saber:

matemática ou Matemática

 

  • nos nomes de ruas e de lugares públicos:

rua do Carmo ou Rua do Carmo

 

  • nos nomes de templos e edifícios:

igreja do Carmo ou Igreja do Carmo

 

  • nas formas de tratamento:

senhor doutor ou Senhor Doutor

 

  • nos nomes sagrados:

santo António ou Santo António

 

  • nos nomes de livros:

O castelo dos livros ou O Castelo dos Livros

 

3. Consoantes mudas ou não articuladas

Deixam-se de escrever as consoantes c e p quando não são pronunciadas nas seguintes sequências consonânticas:

  • cc: accionar > acionar
  • : acção > ação
  • ct: actual > atual
  • pc: decepcionar > dececionar
  • : adopção > adoção
  • pt: óptimo> ótimo


As consoantes c e p continuam a ser escritas quando pronunciadas:

apto, convicção, egípcio, ficcional, opção, pacto…

 

Quando existe uma oscilação de pronúncia são admitidas duas formas gráficas:

característica ou caraterística

intersecção ou interseção

 

4. Acentuação

Retira-se o acento gráfico nos seguintes casos:

  • palavras graves com ditongo ói

bóia > boia

 

  • formas verbais graves que terminam em -êem

dêem > deem

 

  • palavras graves homógrafas de proclíticas

pára > para

pêlo > pelo

 

  • formas dos verbos arguir e redarguir

argúis, argúi, argúem > arguis, argui e arguem

redargúis, redargúi, redargúem > redarguis, redargui, redarguem

 

Passa a ser facultativo o uso do acento gráfico nos seguintes casos:

  • formas verbais do pretérito perfeito do indicativo terminadas em -ámos

passámos ou passamos

 

1ª pessoa do plural do presente do conjuntivo do verbo dar

 dêmos > demos

5. Uso do hífen (-)

 Não se utiliza o hífen nos seguintes casos:

  •  locuções de uso geral

 cartão de visita, fim de semana

 

  • compostos em que se perdeu a noção de composição

 mandachuva, paraquedas

 

  • presente do indicativo do verbo haver

 hei de, hás de, há de, heis de, hão de

 

  • em formações por prefixação e o prefixo termina em vogal e de seguida tem uma vogal diferente

 autoestrada, extraescolar

 

  • em formações por prefixação e o prefixo termina em vogal e de seguida tem um r ou um s

 contrassenha, antirracismo

 

  • em formações por prefixação com o prefixo co-

coocorrência

 

 Passa a utilizar-se o hífen nos seguintes casos:

  •  nomes de espécies botânicas e zoológicas

 bicho-da-seda, couve-flor

 

  • em formações por prefixação e o prefixo termina na mesma vogal ou consoante do segundo elemento da palavra

inter-regional

micro-ondas

 

  • em formações por prefixação quando o segundo elemento começa por h

 auto-hipnose

 

  • em formações por prefixação com os prefixos pós-, pré-, pró-

pós-graduação, pré-escolar, pró-ativo

 

  • em formações por prefixação com os prefixos circum- e pan- e o segundo elemento começa por vogal, por m, n ou h

 circum-navegação, pan-africano

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